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Texto 1


O mundo: um espaço construído

O mundo, para Hannah Arendt, não é simplesmente
o que nos rodeia, mas um espaço construído pelo trabalho e constituído pela ação. Construções e artefatos
garantem aos seres humanos um lugar duradouro
no meio da vida e da natureza, onde tudo aparece e
desaparece, isto é, vida e morte se alternam constantemente. Nesse espaço construído, os seres humanos
podem criar formas de convivência e interação que vão
além da preocupação com a mera sobrevivência ou
continuidade da espécie, embora as necessidades básicas não deixem de existir e precisem ser supridas antes
de termos a possibilidade de participar no mundo.
Arendt distingue entre a atividade humana que se
preocupa com as necessidades vitais – o labor – e as
atividades que dizem respeito ao mundo humano – o
trabalho, a ação e o pensamento. O labor corresponde
a uma das condições da nossa existência na Terra: a
vida. Para cuidar da nossa vida, precisamos satisfazer nossas necessidades, assim como o faz também
qualquer outra espécie de seres vivos. Para satisfazer
a fome, por exemplo, produzimos alimentos que,
em seguida, consumimos. Esse ciclo de produção e
consumo, originariamente ligado aos processos biológicos, na modernidade, extrapola cada vez mais a
satisfação das necessidades meramente biológicas e
se estende a outras. Não consumimos apenas alimentos, mas estilos de vida, produtos “culturais”, emoções,
imagens. Contudo, embora o processo de produção e
consumo seja cada vez mais exacerbado, a lógica que
lhe é inerente continua sendo a mesma: a satisfação
das necessidades sejam essas biológicas ou não.
O trabalho, por sua vez, está relacionado à mundanidade do ser humano, isto é, à necessidade de construir
um espaço duradouro no meio de uma natureza onde
tudo aparece e desaparece constantemente. Assim, o
ser humano fabrica artefatos, objetos de uso e espaços que não se destinam ao consumo imediato, mas
que lhe possam ser úteis e que lhe garantem uma
estabilidade para ter um lar que ele não possui por
natureza. A ação é a atividade mais especificamente
humana. O que nos impele a agir é a condição da
pluralidade dos seres humanos. A ação diz respeito à
convivência entre seres humanos, que são singulares,
mas não vivem no singular e sim no plural, ou seja,
com outros. Essa é a característica fundamental da
existência humana.

A pluralidade possibilita aos seres humanos constituírem um âmbito de ação no qual cada um pode se
revelar em atos e palavras, o que não faria sentido
de modo isolado, mas ganha sua relevância numa
esfera que se estabelece entre as pessoas. É com suas
ações que as pessoas constantemente criam e recriam
o “espaço-entre” e, assim, estabelecem um mundo
comum. A comunicação é fundamental para que
possamos estabelecer algo compartilhado por todos.
É por meio dela que a subjetividade de nossas percepções adquire uma objetividade. Assim, a existência
de uma diversidade de pontos de vista é constitutiva
para o mundo comum, que partilhamos com nossos
contemporâneos, mas também com aqueles que nos
anteciparam e com os que darão continuidade à nossa
ação depois de nós.

ALMEIDA, Vanessa Sievers de. Educação e liberdade em Hannah
Arendt. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 34, n.3, p. 465-479, set./
dez. 2008. [Adaptado]

QUESTÃO 1

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando o seu contexto (texto 1).


( ) O texto disserta sobre a perspectiva de mundo de Hannah Arendt, que é visto como uma construção ao invés de uma realidade pronta e estática.
( ) O texto apresenta, a partir da perspectiva de um narrador, uma sequência de acontecimentos localizados espacial e cronologicamente.
( ) O consumo de bens e de lazer corresponde à atividade mais notadamente humana.
( ) A atividade humana compreende tanto as necessidades humanas, como a mundanidade do ser humano.
( ) Enquanto a produção e o consumo se referem ao preenchimento das necessidades humanas, o trabalho se vincula à durabilidade das coisas no mundo.


Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


a. V • V • V • F • V
b. V • V • F • F • F
c. V • F • F • V • V
d. F • F • V • V • V
e. F • F • V • V • F

QUESTÃO 2

Assinale a alternativa que apresenta corretamente os elementos e atividades que se referem ao mundo humano, considerando o texto 1.


a. necessidades biológicas, trabalho, consumo, ações e lazer.
b. religião, diversidade, necessidades, seres biológicos e comunicação.
c. ação, sobrevivência, vida, produção e linguagem.
d. ação, pluralidade, convivência, palavras e mundo comum.
e. consumo, satisfação, necessidades, fabricação, convivência.

QUESTÃO 3

Considere as frases a seguir retiradas do texto 1.

  1. O mundo, para Hannah Arendt, não é simplesmente o que nos rodeia, mas um espaço construído pelo trabalho e constituído pela ação. (1o parágrafo)
  2. Para satisfazer a fome, por exemplo, produzimos alimentos que, em seguida, consumimos. (2o parágrafo)
  3. A pluralidade possibilita aos seres humanos constituírem um âmbito de ação no qual cada um pode se revelar em atos e palavras, o que não faria sentido de modo isolado, mas ganha sua relevância numa esfera que se estabelece entre as pessoas. (4o parágrafo)

Assinale a alternativa correta.


a. Os termos sublinhados em 1 podem ser intercambiáveis, pois carregam o mesmo significado.
b. Em 1 e 3 há menção à importância da ação, seja para a constituição do mundo, seja para a relação entre as pessoas, respectivamente.
c. Em 2, o uso das vírgulas segue a mesma regra de pontuação: isolar expressões explicativas.
d. A frase 2 pode ser reescrita corretamente da seguinte maneira: “Por exemplo, produzimos alimentos para satisfazer a fome que em seguida consumimos”.
e. Em 3, o pronome preposicionado “no qual” pode ser substituído por “em quê”, sem desvio na norma culta da língua escrita.

QUESTÃO 4

Considere as frases a seguir retiradas do último parágrafo do texto 1.

  1. É com suas ações que as pessoas constantemente criam e recriam o “espaço-entre” e, assim, estabelecem um mundo comum.
  2. É por meio dela que a subjetividade de nossas percepções adquire uma objetividade.
  3. Assim, a existência de uma diversidade de pontos de vista é constitutiva para o mundo comum, que partilhamos com nossos contemporâneos, mas também com aqueles que nos anteciparam e com os que darão continuidade à nossa ação depois de nós.

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando as três frases em seu contexto:


( ) Em 1 e 2, a expressão composta pelos vocábulos sublinhados “É… que” funciona como recurso de ênfase.
( ) Em 1 e 2, as formas verbais estão no tempo presente, ao passo que em 3, estão nos tempos presente, pretérito perfeito e futuro do presente do modo indicativo.
( ) Em 1, 2 e 3, os termos “um mundo comum”, “uma objetividade” e “uma diversidade de pontos de vista” funcionam como objeto direto.
( ) Em 3, o sinal indicativo de crase é facultativo em “à”.
( ) Em 3, os vocábulos sublinhados “o” e “os” são artigos definidos e se distinguem pela flexão de número.


Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


a. V • V • F • V • F
b. V • F • V • V • F
c. V • F • F • F • V
d. F • V • V • F • F
e. F • V • F • V • V

QUESTÃO 5

Assinale a alternativa correta, com base no texto 1.


a. Em “embora as necessidades básicas não deixem de existir” (1o parágrafo) e “embora o processo de produção e consumo seja cada vez mais exacerbado” (2o parágrafo), as formas verbais sublinhas podem ser substituídas, respectivamente, por “deixam” e “é”, sem desvio da norma culta da língua escrita.
b. Em “[…] isto é, à necessidade de construir” e “[…] ou seja, com outros” (3o parágrafo), as expressões sublinhadas não podem ser mutuamente substituídas, pois a primeira ratifica e a segunda retifica uma informação dada anteriormente.
c. Em “Para cuidar da nossa vida, precisamos satisfazer nossas necessidades, assim como o faz também qualquer outra espécie de seres
vivos” (2o parágrafo), há ideias de finalidade e de comparação.
d. Em “Esse ciclo de produção e consumo, originariamente ligado aos processos biológicos, na modernidade, extrapola cada vez mais a satisfação das necessidades meramente biológicas e se estende a outras” (2o parágrafo), as formas verbais sublinhadas podem estar no plural, em concordância com termos precedentes, respectivamente, pois se trata de uma regra de concordância verbal facultativa.
e. Os verbos auxiliares nas locuções “podem criar” e “precisem ser supridas” (1o parágrafo) remetem, respectivamente, à ideia de necessidade e de certeza.

QUESTÃO 6

Assinale a alternativa que apresenta a função sintática correta do termo sublinhado, considerando o texto 1.


a. Construções e artefatos garantem aos seres humanos um lugar duradouro no meio da vida e da natureza (1o parágrafo) – objeto indireto.
b. O labor corresponde a uma das condições da nossa existência na Terra (2o parágrafo) – complemento nominal.
c. Assim, o ser humano fabrica artefatos, objetos de uso e espaços (3o
parágrafo) – complemento nominal.
d. A ação é a atividade mais especificamente humana (3o parágrafo) – objeto direto.
e. A ação diz respeito à convivência entre seres humanos (3o
parágrafo) – objeto indireto.

QUESTÃO 7

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando o seu contexto (texto 1).


( ) Em “não é simplesmente o que nos rodeia” (1o parágrafo) e em “espaços que não se destinam” (3o parágrafo), os pronomes oblíquos sublinhados podem ser pospostos às formas verbais “rodeia” e “destinam”, respectivamente, sem desvio da norma culta da língua escrita.
( ) Em “mas um espaço construído” (1o parágrafo) e “mas também com aqueles que nos anteciparam” (5o parágrafo), o vocábulo “mas” pode ser substituído por “e sim”, sem prejuízo de significado e sem desvio da norma culta da língua escrita.
( ) Em “não é simplesmente o que nos rodeia” e “onde tudo aparece e desaparece” (1o parágrafo), os vocábulos sublinhados funcionam como pronome relativo.
( ) Em “que lhe possam ser úteis e que lhe garantem uma estabilidade” (3o parágrafo), o pronome “lhe” funciona como objeto indireto nas duas ocorrências, da mesma maneira que em “a lógica que lhe é inerente” (2o parágrafo).
( ) O sinal de dois-pontos é usado nas duas ocorrências (2o parágrafo) para introduzir um esclarecimento acerca de algo mencionado anteriormente.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


a. V • F • V • V • F
b. V • F • F • F • V
c. F • V • V • V • F
d. F • V • F • V • V
e. F • F • V • F • V

Texto 2


Investir em educação ‘fecha’ prisões

Entrevista da BBC News Brasil com Clara Grisot.

Clara Grisot, formada em ciências políticas e sociologia,
é cofundadora da associação francesa Prison Insider,
que coleta informações sobre as condições das prisões no mundo.


BBC News Brasil – Pesquisas no Brasil indicam que a
maioria concorda com a afirmação de que “bandido
bom é bandido morto”. Qual seria a reação em outros
países desenvolvidos?


Grisot – Esse tipo de discurso não é algo específico
do Brasil. É uma visão comum no mundo. Vemos que
a sociedade tem uma real falta de empatia em relação
[……] pessoas encarceradas. O tratamento dado aos
presidiários não interessa [……] quase ninguém, mas
constatamos que isso é ainda mais forte nos países
com grandes desigualdades sociais.


BBC News Brasil – De que forma a violência no Brasil,
que afeta a população diariamente, influencia o olhar
dos brasileiros sobre a situação nos presídios?


Grisot – O que acontece dentro das prisões em
países com muita violência é a exacerbação do que
acontece nas ruas. Isso explica [……] violência que
surge regularmente no sistema carcerário brasileiro
e, certamente, o olhar dos brasileiros sobre a situação
do sistema prisional do país. Já é tão violento fora (nas
ruas) que o que acontece dentro das prisões é praticamente algo que não lhes diz respeito.


BBC News Brasil – No Brasil e em outros países, prevalece
a visão de que penas mais severas reduziriam os riscos da
pessoa cometer um crime. Você concorda com isso?


Grisot – Com base nas informações que pudemos
obter em todos os países do mundo, percebemos que
a prisão não funciona. Quanto mais as penas forem
longas e os prisioneiros forem tratados como um nada,
menos preparamos seu retorno [……] sociedade. A
prisão destrói. Estudos mostram que quanto menos
a pessoa ficar presa, menos ela ficará dessocializada
e menores serão as chances de reincidência. Se ela
não voltar [……] praticar um delito, não haverá novas
vítimas. Todo esse discurso de repressão produz efeitos contrários ao desejado. É paradoxal. Se as pessoas
realmente estivessem ao lado das vítimas, elas seriam
favoráveis a penas alternativas.

BBC News Brasil – Muitos no Brasil acham que um país
sem recursos suficientes para a educação não deveria
investir em presídios. Qual é a sua avaliação?


Grisot – A corrida para o aprisionamento e a construção de prisões têm um custo extremamente alto tanto
economicamente quanto socialmente. O Brasil dá
continuidade a uma política repressiva que fracassou,
sobretudo nos Estados Unidos, onde certos Estados
gastam mais com prisões do que com universidades.
Isso tem efeitos devastadores, com consequências
sobre comunidades e gerações inteiras. Alguns têm
recuado em razão dos estragos constatados. A educação é uma das primeiras muralhas contra a pobreza.
São os pobres que são presos em massa e isso em
todos os lugares. Construir presídios em detrimento
da educação é uma escolha infeliz porque apostar na
educação significa fechar prisões.


BBC News Brasil – No Brasil, difundiu-se a ideia de que
os direitos humanos são os “direitos dos manos”, dos
bandidos. O que explica isso?


Grisot – Isso faz parte de uma retórica clássica que
chamamos de populismo penal que quer dividir os
direitos humanos. Nós dizemos que os direitos humanos são indivisíveis e não podem ser negociados.
Todos devem ser tratados com dignidade. Seria um
grande retrocesso pensar o contrário.


FERNANDES, Daniela. Disponível em:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48445684
Acesso em 18 out.2019. [Adaptado]

QUESTÃO 8

Analise as afirmativas abaixo em relação ao texto 2.

  1. Clara Grisot, cofundadora da associação francesa Prison Insider, recebe, na entrevista, o tratamento formal de Vossa Senhoria, o que se infere da formulação “Qual é a sua avaliação?” (4a pergunta).
  2. Quanto ao sinal indicativo de crase, a grafia correta dos cinco vocábulos, na sequência das lacunas [……] nas respostas da entrevista, é: às • à • a • à • à.
  3. Em “constatamos que isso é ainda mais forte nos países com grandes desigualdades sociais” (1a resposta), o pronome sublinhado faz referência ao desinteresse pelo tratamento dado aos presidiários.
  4. Em “Quanto mais as penas forem longas e os prisioneiros forem tratados como um nada, menos preparamos seu retorno [……] sociedade” (3a resposta), as formas verbais sublinhadas estão, respectivamente, na voz passiva e ativa.
  5. Em “não haverá novas vítimas” (3a resposta), o verbo haver é impessoal e pode ser substituído por “existirá”, sem prejuízo de significado e sem desvio da norma culta da língua escrita.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.


a. São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.
b. São corretas apenas as afirmativas 3 e 4.
c. São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
d. São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 5.
e. São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5.

QUESTÃO 9

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando o seu contexto (texto 2).


( ) O texto apresenta orientação dialógica no formato de perguntas e respostas, o que o torna dinâmico e interativo.
( ) Trata-se de um texto prescritivo, que orienta o leitor sobre como agir em situações de violência e desconfiança.
( ) Os argumentos do texto apresentam um olhar comparado com experiências prisionais em outros países, além de revelarem um posicionamento da entrevistada.
( ) O populismo penal é uma retórica que coloca em questão a indivisibilidade dos direitos humanos.
( ) O texto reflete um posicionamento ambivalente da entrevistada, que ora defende investimento público em um modelo prisional repressivo, ora defende investimento em universidades, especialmente em países
violentos.


Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


a. V • V • F • V • F
b. V • F • V • V • F
c. V • F • F • V • V
d. F • V • V • F • V
e. F • V • V • F • F

QUESTÃO 10

Assinale a alternativa em que todas as palavras seguem a mesma regra de acentuação gráfica.


a. vítimas • clássica • básica • ficará • haverá
b. básica • âmbito • biológico • retórica • construído
c. existência • sobrevivência • ciências • âmbito • têm
d. indivisíveis • também • favoráveis • além • gerações
e. convivência • espécies • relevância • presídio • carcerário

QUESTÃO 11

Numere os parênteses abaixo de acordo com o número associado a cada par de classes de palavras.


Coluna 1 Classes de palavras

  1. substantivo / substantivo
  2. adjetivo / adjetivo
  3. substantivo / adjetivo
  4. adjetivo / substantivo

Coluna 2 Palavras (retiradas do texto 2)


( ) “pessoas encarceradas” (1ª resposta) / “sistema carcerário brasileiro” (2ª resposta)
( ) ”tratamento dado aos presidiários” (1ª resposta) / “Construir presídios em detrimento da educação” (4ª resposta)
( ) ”no sistema carcerário brasileiro” (2ª resposta) / “o olhar dos brasileiros sobre a situação” (2ª resposta)
( ) ”favoráveis a penas alternativas” (3ª resposta) / “chamamos de populismo penal” (5ª resposta)
( ) “os prisioneiros forem tratados” (3ª resposta) / “A corrida para o aprisionamento” (4ª resposta)
( ) “O que acontece dentro das prisões” (2ª resposta) / “a situação do sistema prisional do país” (2ª resposta)

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


a. 1 • 1 • 4 • 3 • 3 • 2
b. 2 • 1 • 4 • 3 • 2 • 3
c. 2 • 3 • 1 • 2 • 4 • 1
d. 3 • 4 • 2 • 1 • 2 • 4
e. 4 • 2 • 2 • 1 • 1 • 3

QUESTÃO 12

Assinale a alternativa cuja sequência de palavras apresenta a mesma formação de plural.


a. alemão • tabelião • grão • anão • pagão
b. satisfação • cordão • limão • paixão • razão
c. ação • cirurgião • estação • capitão • artesão
d. situação • botão • cirurgião • escrivão • charlatão
e. associação • situação • guardião • refrão • sacristão

Texto 3


Projeto leva leitura a presos em Santa Catarina


Santa Catarina tem 5,5 mil presos participando do Projeto Despertar Pela Leitura desenvolvido no sistema
prisional do Estado. Viabilizado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Administração Prisional e
Socioeducativa (SAP) e a Secretaria da Educação (SED),
o programa estimula a reinserção social do interno por
meio da literatura, podendo resultar em quatro dias
de remição de pena por livro lido.
Para integrar o projeto e obter o benefício, não basta
apenas ler o livro. Depois de participar de uma prova
de nivelamento, os internos selecionados recebem as
orientações e um livro, que deverá ser lido na cela em
até 30 dias. Passado o período, retornam à sala de aula
para escrever uma resenha. O texto é avaliado pela
comissão de ensino da unidade prisional e lhe é atribuída uma nota, sendo que a média de aprovação é
6,0 (seis). Se o reeducando for aprovado, o documento
é encaminhado para o juiz da Vara de Execuções
Penais, que concede ou não a remição de quatro dias
de pena. Se não conseguir alcançar a média, tem mais
uma chance para escrever nova resenha. Caso ainda
não obtenha a pontuação mínima, o detento precisa
começar a leitura de um novo livro. Cada interno pode
ler até 12 livros por ano o que garante remição de 48
dias de pena.
Os livros que fazem parte do projeto são selecionados
e devem seguir critérios como contribuir para a formação intelectual do interno e não estimular a violência.
De acordo com a professora que atua no projeto, os
textos produzidos pelos detentos revelam uma reflexão acerca dos atos que cometeram e que os levaram
a estar atrás das grades. Além promover a autoanálise, o projeto tem se mostrado bastante eficiente na
melhoria da produção textual, tanto que 160 internos
estão cursando o ensino superior.
A Gerente de Desenvolvimento Educacional do
Departamento de Administração Prisional (Deap)
assinala que, no início, o objetivo do interno é apenas
a remição da pena. “Mas a partir do momento em que
ele começa a ter contato com a literatura, em muitos
casos, é possível notar uma mudança no seu comportamento para melhor”, comenta. Segundo ela, “nosso
objetivo, enquanto estado, é devolver essa pessoa privada de liberdade para a sociedade, para sua família,
para sua comunidade, com uma perspectiva de vida
melhor do que quando entrou no sistema”.

Para o titular da SAP, a educação constitui-se também
em uma estratégia de segurança prisional. “Na medida
em que podemos oferecer trabalho e ensino para o
interno, ele começa a ter uma nova perspectiva de
vida, se aproxima dos familiares e tem a possibilidade
de recuperar os laços sociais.”


IENSEN, Jacqueline. Disponível em:
http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/imprensa/noticias/30389-
projeto-leva-leitura-a-5-5-mil-presos-em-santa-catarina
Acesso em: 18 out 2019. [Adaptado]

QUESTÃO 13

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), de acordo com os textos 2 e 3.


( ) O texto 3 mostra um exemplo de reinserção social promovida pelo tratamento conferido aos detentos, diferentemente do texto 2, que não apresenta um projeto pedagógico para os presos.
( ) Ambos os textos ilustram com argumentos a importância da educação, seja para a diminuição de prisões (texto 2), seja para a mudança de comportamento dos presos (texto 3).
( ) As universidades públicas pouco podem contribuir com a formação dos presos, uma vez que elas se destinam a uma parcela privilegiada do país.
( ) Ambos os textos reforçam a importância de projetos educacionais e culturais na prisão, a exemplo da leitura de textos e da produção de artefatos manuais.
( ) Ambos os textos defendem a importância de penas alternativas em detrimento do modelo prisional atual.


Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


a. V • V • F • F • F
b. V • F • V • F •V
c. V • F • F• V • V
d. F • V • V • V •F
e. F • F • V• V • F

QUESTÃO 14

Assinale a alternativa correta, com base no texto 3.


a. Cabe ao juiz da Vara de Execuções Penais avaliar, selecionar e aprovar as obras literárias, bem como supervisionar a atuação dos professores no projeto.
b. O uso de aspas (4o e 5o parágrafos) serve para destacar a voz da autora do texto, revelando sua perspectiva pessoal sobre o tema.
c. O projeto é fruto da iniciativa de organizações não governamentais em parceria com a iniciativa privada.
d. O texto relata os benefícios do Projeto Despertar Pela Leitura e aborda critérios de seleção das obras e de concessão de remição de pena.
e. O texto apresenta dados estatísticos que correlacionam a leitura de textos, o ingresso em ensino superior e a entrada dos ex-detentos que participam do projeto no mercado de trabalho.

QUESTÃO 15

Considere os trechos retirados dos textos 2 e 3.

  1. Se as pessoas realmente estivessem ao lado das vítimas, elas seriam favoráveis a penas alternativas. (texto 2)
  2. Viabilizado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa (SAP) e a Secretaria da Educação (SED), o programa estimula a reinserção social do interno por meio da literatura […]. (texto 3)
  3. Além de promover a autoanálise, o projeto tem se mostrado bastante eficiente na melhoria da produção textual. (texto 3)

Assinale a alternativa correta.


a. Em 1, o pronome pessoal “elas” faz referência a “vítimas”.
b. Em 1, as formas verbais podem ser substituídas, respectivamente, por “estiverem” e “serão”, mantendo-se a correlação modo-temporal.
c. Em 2, o termo sublinhado indica que a oração está na voz passiva.
d. Em 3, a sequência sublinhada pode ser substituída por “mostrou-se”, sem prejuízo do significado temporal.
e. Em 3, se “projeto” estivesse no plural, a construção, de acordo com a norma culta da língua escrita, seria: “os projetos tem se mostrado bastantes eficientes na melhoria das produções textuais”.

GABARITO

1. c

2. d

3. b

4. a

5. c

6. a

7. e

8. b

9. b

10. e

11. ANULADA

12. b

13. a

14. d

15. b

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